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Bruno Freire participa de conferência internacional sobre direitos humanos e inteligência artificial na Itália

O nosso sócio, advogado e professor Bruno Freire e Silva participa, nos dias 6 e 7 de outubro, do 18º Encontro da Rede de Estudos sobre Direitos Humanos na Transnacionalidade, realizado na Università degli Studi Mediterranea di Reggio Calabria, na Itália.
Com o tema “Inteligência Artificial, Globalização e Direitos Humanos”, a conferência internacional reúne professores, pesquisadores e especialistas para discutir os impactos das transformações tecnológicas e sociais sobre o Direito e a proteção dos direitos humanos.
Durante a programação, Bruno Freire apresentará o painel “Nomofilaquia nas Cortes Superiores: um confronto entre Brasil e Itália”. A exposição propõe uma análise comparativa sobre a atuação das Cortes Superiores nos dois países, especialmente quanto ao papel desses tribunais na uniformização da jurisprudência e na promoção de maior estabilidade e coerência na interpretação do Direito.
Professor de Direito Processual do Trabalho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Bruno levará ao debate a perspectiva brasileira sobre a atuação dos tribunais superiores diante da crescente complexidade das relações jurídicas e das transformações institucionais contemporâneas.
Além da discussão jurídica, a participação de Bruno terá uma dimensão histórica e pessoal. Na abertura de sua apresentação, o professor destacará os vínculos entre a Calábria e o Rio de Janeiro, construídos a partir da imigração calabresa para o Brasil.
“Vindo do Rio de Janeiro, não posso me sentir completamente estrangeiro na Calábria: uma parte da história desta terra vive também na história da minha terra”, afirma Bruno no texto preparado para a abertura do encontro.
A participação no evento também contribui para o intercâmbio acadêmico e jurídico entre Brasil e Itália, aproximando pesquisadores e instituições dos dois países em torno de questões contemporâneas relacionadas ao Direito, aos direitos humanos e às transformações da sociedade.
Leia a apresentação de Bruno Freire na abertura do encontro
Bom dia a todos, ilustres professores, caros colegas e estudantes.
Antes de começar, permitam-me apenas uma breve consideração pessoal: para um professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, estar hoje na Calábria tem um significado muito especial. Entre esta terra e o Estado de onde venho existe, de fato, um vínculo humano, histórico e profundo, construído pela emigração calabresa para o Brasil.
Enquanto muitos italianos que chegavam ao Brasil se dirigiam para as áreas rurais, sobretudo no Estado de São Paulo, numerosos calabreses escolheram o Rio de Janeiro e sua região metropolitana. Muitos vinham justamente de Paola, Fuscaldo e San Lucido e encontraram trabalho, entre outras atividades, como jornaleiros.
Conta-se, inclusive, uma história curiosa. Havia chegado à Calábria a notícia de que, no Rio de Janeiro, havia necessidade de mão de obra nas “bancas” da cidade. Muitos, então, entusiasmaram-se com a ideia de poder trabalhar em um banco no exterior e emigraram também por essa razão. Mas, quando chegaram, descobriram que a palavra portuguesa “banca”, naquele contexto, não indicava uma instituição bancária, mas sim uma banca de jornal. Assim, muitos calabreses acabaram trabalhando como jornaleiros em vez de funcionários de banco.
É certamente uma bela imagem do início de uma grande história de integração.
E há um vínculo ainda mais simbólico: a comunidade italiana contribuiu para a construção, no Rio de Janeiro, de uma igreja dedicada a São Francisco de Paula, o grande santo calabrês. O mesmo santo a cujo santuário, aqui na Calábria, está ligada a lembrança da bomba que caiu durante a Segunda Guerra Mundial e permaneceu sem explodir.
Por isso, vindo do Rio de Janeiro, não posso me sentir completamente estrangeiro na Calábria: uma parte da história desta terra vive também na história da minha terra.
Agradeço verdadeiramente a todos pela acolhida e pela honra de estar hoje aqui com vocês.

